Medicina de Família Archives - Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família https://drasaracastro.com.br/category/medicina-de-familia/ Medicina Baseada em Evidências para toda família. Dra. Sara Castro, Médica de FamíliO cuidado que você precisa para a sua saúde mental e de sua família com empatia e ciência. Atendimento presencial em Porto Alegre e Online para todo o Brasil. Tue, 15 Apr 2025 02:13:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 https://drasaracastro.com.br/wp-content/uploads/2025/10/cropped-Icon-Dra-Sara-Castro-32x32.png Medicina de Família Archives - Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família https://drasaracastro.com.br/category/medicina-de-familia/ 32 32 Febre em crianças: saiba quando medicar, quando observar e quando se preocupar. https://drasaracastro.com.br/febre-em-crianca/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=febre-em-crianca Tue, 15 Apr 2025 01:55:46 +0000 https://drasaracastro.com.br/?p=150 Se você tem filhos ou convive com crianças pequenas, provavelmente já passou por isso: a criança acorda quente, olhos brilhantes, talvez mais quieta ou chorosa que o habitual. Você encosta na testa com a mão e sente aquele calor típico que dispara um alarme interno. O coração acelera, porque febre em crianças mexe com qualquer […]

The post Febre em crianças: saiba quando medicar, quando observar e quando se preocupar. appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>

Se você tem filhos ou convive com crianças pequenas, provavelmente já passou por isso: a criança acorda quente, olhos brilhantes, talvez mais quieta ou chorosa que o habitual. Você encosta na testa com a mão e sente aquele calor típico que dispara um alarme interno. O coração acelera, porque febre em crianças mexe com qualquer adulto – mesmo os mais experientes.

Agora respire fundo. É natural se preocupar ao notar uma criança com febre; ninguém quer vê-la desconfortável ou ignorar algo mais sério. Mas aqui está uma verdade importante: nem toda febre exige uma ida apressada ao hospital ou o uso imediato de remédios. Muitas vezes, ela nem deveria ser vista como uma “inimiga”.

Vamos entender melhor o que significa quando uma criança apresenta febre. Este é um tema cercado de dúvidas e mitos: ainda há quem pense que febre alta pode “derreter” o cérebro (spoiler: não pode!) ou quem fique obcecado em “zerar” a temperatura a qualquer custo. Antes de falar sobre sinais de alerta ou o momento certo para recorrer aos antitérmicos, é essencial compreender o que acontece no corpo da criança quando a febre aparece.

Com mais conhecimento, você se sentirá mais confiante para decidir se deve apenas observar ou agir. E essa decisão será tomada com calma e baseada em uma avaliação consciente do comportamento da criança e nas informações corretas sobre sua saúde.


O que é a febre e por que ela surge?

Muita gente associa febre automaticamente a doença – o que não está totalmente errado –, mas isso é só parte da história. Para começar, vamos entender exatamente o que é a febre.

A temperatura do nosso corpo costuma ficar estável entre 36 e 37 °C na maior parte do tempo. Esse equilíbrio térmico é controlado por uma área do cérebro chamada hipotálamo – como se fosse o “termostato natural” do corpo humano. Quando percebemos alguma ameaça externa (como vírus ou bactérias) ou interna (inflamações), o hipotálamo pode ajustar esse termostato para cima, elevando nossa temperatura corporal.

E por quê? Essa resposta faz parte de um plano estratégico da nossa imunidade! Muitos microrganismos causadores de doenças têm dificuldade em se multiplicar ou sobreviver em temperaturas mais altas. Assim, a febre funciona como uma espécie de arma biológica natural – um esforço do corpo para criar um ambiente menos favorável aos invasores enquanto estimula as células de defesa. A febre, por si só, não é uma doença, mas sim um sinal de que algo está acontecendo no organismo. Isso, no entanto, não significa que esse “algo” seja grave ou perigoso.


Febre: amiga ou inimiga?

Agora que sabemos que a febre faz parte do sistema defensivo do corpo, precisamos falar sobre como interpretá-la nas crianças. Pense na febre como uma mensageira; ela carrega informações importantes sobre o estado geral da saúde.

Na maioria das vezes, a febre aparece como uma reação natural do corpo a infecções comuns e passageiras, como os típicos resfriados virais da infância. Nesse contexto, ela age protegendo a criança sem causar grandes problemas. Ainda assim, há momentos em que a febre pode indicar algo mais preocupante. Quando sua presença está associada a outros sintomas, é hora de ficar alerta. Exemplos incluem letargia excessiva, dificuldade respiratória ou manchas pelo corpo.

Resumo rápido:

  • Febre transitória + criança ativa/brincando: geralmente segura.
  • Febre contínua + outros sinais preocupantes: merece atenção especial.

É importante lembrar que a gravidade da febre não se baseia apenas nos números do termômetro. O comportamento da criança é um indicador muito mais confiável.


O que é considerado febre em crianças?

Uma dúvida comum é: qual temperatura realmente indica febre? Aqui estão os parâmetros gerais:

  • Temperatura axilar acima de 37,8 °C é considerada febre.
  • Valores entre 37 °C e 37,8 °C são classificados como estado subfebril.
  • Acima de 39 °C, chamamos de febre alta.

Essas medições variam conforme o local onde você mede:

  • Axila: método mais tradicional, com valores geralmente menores.
  • Reto ou boca/auricular: cerca de 0,5 °C acima dos valores axilares.

Para bebês menores de 3 meses, qualquer alteração térmica deve ser comunicada ao médico, pois infecções podem evoluir rapidamente nessa faixa etária. Além disso, escolha um termômetro confiável. Os digitais são os mais indicados pela precisão e praticidade, enquanto os infravermelhos podem ser úteis, mas exigem cuidado para evitar leituras inconsistentes.


Observar ou medicar?

Quando a febre aparece, surge a dúvida: medicar imediatamente ou apenas observar? Essa decisão pode assustar, mas o segredo está em avaliar mais do que a febre em si: o comportamento da criança é uma pista muito mais confiável do que os números absolutos da temperatura.

Se a criança está ativa entre picos febris, brincando ou reagindo bem, isso geralmente é um bom sinal. O corpo pode estar lutando contra um vírus ou bactéria comuns. Nesse caso, você pode monitorar e focar no conforto dela.

Por outro lado, se houver sintomas como letargia profunda, dificuldade para respirar ou irritabilidade persistente, é necessário buscar avaliação médica, independentemente da temperatura registrada.

Os antitérmicos, como paracetamol e ibuprofeno, são seguros quando usados nas doses corretas, considerando peso e idade. Eles não “curam” a febre, mas ajudam a aliviar o desconforto. Algumas dicas importantes:

  • Respeite os intervalos indicados na bula (geralmente entre 6 a 8 horas).
  • Evite misturar diferentes tipos de antitérmicos, a menos que o médico assim oriente.
  • Se a febre não ceder após várias doses ou voltar rapidamente, procure orientação médica.

Medidas naturais: funcionam?

Entre um antitérmico e outro – ou quando você decide não medicar ainda –, medidas simples podem ajudar:

  • Banhos mornos: ajudam a regular a temperatura e relaxam o corpo.
  • Hidratação: beber bastante líquido é essencial para combater infecções.
  • Roupas leves: evitam a sensação abafada da febre alta.

Evite práticas antigas, como álcool na pele ou gelo na testa, que podem causar danos à pele sensível ou até quedas perigosas na temperatura corporal.


Quando a febre é um alerta?

Febres que vão e voltam por dias seguidos podem ser preocupantes. Infecções virais comuns geralmente duram entre cinco e sete dias, mas febres persistentes ou recorrentes (mais de 7 dias) exigem atenção médica. Casos que merecem avaliação incluem:

  • Infecções bacterianas, como infecção urinária.
  • Febres acompanhadas de erupções cutâneas persistentes.
  • Dificuldades alimentares graves associadas à febre.

Se tiver dúvidas, não deixe de buscar avaliação médica. Lembre-se: a febre não é vilã, mas um sinal do sistema imunológico trabalhando. Observe seus filhos com atenção e mantenha a calma. Isso faz toda a diferença para oferecer o apoio necessário.

Dra. Sara Koefender Castro
Médica de Família e Comunidade
CRM/RS 39979 RQE 32341

The post Febre em crianças: saiba quando medicar, quando observar e quando se preocupar. appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>
150
Adultos podem ter TDAH? Saiba a diferença entre os sintomas da infância e da idade adulta https://drasaracastro.com.br/tdah-em-adultos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=tdah-em-adultos Mon, 14 Apr 2025 02:14:13 +0000 https://drasaracastro.com.br/?p=142 Você sabia que muitas pessoas passam boa parte da vida sem saber que têm TDAH? O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ainda é amplamente associado à infância. Quando pensamos no transtorno, é comum imaginar crianças hiperativas na escola, cheias de energia e dificuldade para se concentrar. Essa é uma situação familiar para muitos […]

The post Adultos podem ter TDAH? Saiba a diferença entre os sintomas da infância e da idade adulta appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>

Você sabia que muitas pessoas passam boa parte da vida sem saber que têm TDAH? O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ainda é amplamente associado à infância. Quando pensamos no transtorno, é comum imaginar crianças hiperativas na escola, cheias de energia e dificuldade para se concentrar. Essa é uma situação familiar para muitos pais e professores, mas há um detalhe importante: o TDAH não desaparece com o tempo. Ele cresce junto com a pessoa.

Se antes os sinais eram evidentes no pátio da escola ou durante as lições copiadas do quadro-negro, na vida adulta os sintomas podem parecer mais sutis. Ou melhor: eles mudam de forma. Isso faz com que muitas pessoas sequer desconfiem que aquela sensação constante de “mente embaralhada”, dificuldade em cumprir prazos ou administrar pequenas tarefas cotidianas possa estar relacionada a um transtorno documentado cientificamente.

Uma boa parte dos adultos diagnosticados hoje com TDAH não fazia ideia disso na infância. Alguns acreditavam ser apenas “distraídos”; outros cresceram ouvindo frases como “você é inteligente demais para ser tão desorganizado”. Com o tempo, caíram em ciclos frustrantes na vida pessoal e profissional, sentindo que algo estava desalinhado — mas sem saber exatamente o quê.

Conversas sobre TDAH em adultos ainda são recentes no grande público. Graças ao avanço da neurociência e da saúde mental, sabemos muito mais hoje, mas o tema já passou décadas envolto em equívocos e estigmas. Este artigo existe para explicar não só que adultos podem ter TDAH, mas também como os sintomas evoluem ao longo do tempo — muitas vezes passando despercebidos ou sendo confundidos com traços de personalidade.

O que é TDAH?


O básico sobre TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é uma condição neurodesenvolvimental, ou seja, está relacionada ao desenvolvimento do cérebro desde cedo na vida. Estudos apontam alterações no funcionamento de áreas ligadas à atenção, controle inibitório (capacidade de resistir a impulsos) e regulação emocional. Apesar de parecer algo abstrato, seus efeitos são bem concretos no dia a dia.

Pessoas com TDAH apresentam padrões comuns em três áreas principais:

  • Desatenção
  • Hiperatividade
  • Impulsividade

Esses traços dão nome ao transtorno, embora nem todos apresentem hiperatividade visível. Existem diferentes classificações dentro do TDAH, com perfis mais desatentos ou impulsivos. Mas é importante destacar: não é uma questão de falta de esforço ou preguiça. O TDAH tem raízes biológicas claras, reconhecidas pela medicina moderna, com diferenças no funcionamento dos sistemas dopaminérgico e outras redes cerebrais.

Entender isso nos leva à próxima questão…

Adultos podem ter TDAH?


Sim, adultos podem ter TDAH

Por muito tempo acreditou-se que o TDAH era restrito à infância, já que as pesquisas iniciais focavam essa faixa etária. Até mesmo os critérios diagnósticos foram criados com base no comportamento infantil observado em contextos escolares. No entanto, estudos mais recentes indicam que os sintomas podem persistir na vida adulta em até 60% dos casos diagnosticados na infância.

Além disso, muitas pessoas só entendem sua condição já adultas porque nenhum sinal foi identificado na infância. Isso ocorre porque os sintomas tendem a se transformar. Crianças com energia “de sobra” podem crescer para se tornarem adultos inquietos mentalmente, com dificuldade em manter o foco, procrastinação frequente e problemas para organizar tarefas simples.

Hoje, profissionais especializados conseguem identificar o TDAH em adultos por meio de entrevistas detalhadas e avaliações específicas. Isso ajuda a diferenciar os sinais do transtorno de comportamentos típicos causados pelas tensões do dia a dia.

Infância x idade adulta: por que os sintomas mudam?


Como os sintomas evoluem ao longo da vida

É lógico imaginar que as exigências da infância são diferentes das da vida adulta. Na infância, tudo gira em torno da escola: prestar atenção nas aulas, fazer lições e seguir regras. É nesse ambiente que sinais como esquecimento frequente ou imaturidade social costumam aparecer.

Na vida adulta, as dificuldades se combinam com responsabilidades como gerenciar trabalho, pagar contas e manter relacionamentos. Imagine lidar com tudo isso sentindo que sua mente é como um navegador de internet com 50 abas abertas ao mesmo tempo — nenhuma delas completamente carregada.

Impactos do TDAH na rotina adulta


Quando o TDAH complica a vida adulta

O TDAH pode afetar três áreas centrais na vida adulta:

  • Trabalho: Dificuldade em organizar tarefas, cumprir prazos e lidar com projetos grandes. Isso pode levar ao estresse constante e a comentários como “você precisa tentar mais”.
  • Relacionamentos: Amigos ou parceiros podem interpretar comportamentos como esquecimento ou desatenção como falta de interesse, gerando conflitos.
  • Saúde emocional: Sentimentos de culpa, ansiedade e baixa autoestima são comuns, especialmente após anos de críticas ou oportunidades perdidas.

Por que tantos adultos não foram diagnosticados antes?


O diagnóstico tardio

Se você se identificou com os sinais descritos, pode estar se perguntando: por que ninguém falou sobre isso quando eu era criança?

Até algumas décadas atrás, o TDAH era um tema marginal na medicina e na psicologia infantil. As pesquisas focavam principalmente meninos hiperativos, enquanto meninas desatentas ou crianças tímidas passavam despercebidas. Além disso, acreditava-se que os comportamentos ligados ao TDAH desapareciam com a idade adulta. Muitos adultos de hoje cresceram ouvindo frases como “isso é só falta de disciplina”, quando na verdade era um transtorno neurológico pedindo atenção.

O tratamento faz diferença?


Tratamento para TDAH em adultos

A boa notícia é que o diagnóstico tardio não significa falta de opções eficazes. Hoje, existem diversos tratamentos para minimizar os impactos do transtorno na rotina, adaptados à realidade de cada pessoa.

Os medicamentos ajudam no funcionamento dos mecanismos cerebrais, melhorando o foco e o controle dos impulsos. Já a terapia comportamental ensina técnicas para gerenciar o tempo, lidar com emoções intensas e criar sistemas organizacionais personalizados. Mudanças simples, como praticar exercícios físicos regularmente ou dividir grandes tarefas em etapas menores, também podem fazer toda a diferença.

Quando buscar ajuda?


A hora certa para agir

Se você se identificou com este artigo ou conhece alguém que pode estar passando por isso, talvez seja o momento de buscar ajuda profissional. O objetivo não é eliminar todos os desafios, mas oferecer ferramentas reais para transformar vidas.

Com terapia, medicação ou simplesmente entendendo que seus comportamentos têm nome e explicação, o primeiro passo para adultos com TDAH é o conhecimento. Saber que sua mente funciona de forma diferente não é motivo de vergonha — é uma oportunidade para viver melhor consigo mesmo.

Leia mais sobre TDAH:

Dra. Sara Koefender Castro
Médica de Família e Comunidade
CRM/RS 39979 RQE 32341

The post Adultos podem ter TDAH? Saiba a diferença entre os sintomas da infância e da idade adulta appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>
142
Conheça 7 vantagens de ter um Médico de Família no cuidado da sua saúde https://drasaracastro.com.br/conheca-7-vantagens-de-ter-um-medico-de-familia-no-cuidado-da-sua-saude/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=conheca-7-vantagens-de-ter-um-medico-de-familia-no-cuidado-da-sua-saude Mon, 14 Apr 2025 01:52:36 +0000 https://drasaracastro.com.br/?p=137 Imagine isso: você entra no consultório e não precisa explicar do zero todos os detalhes sobre sua saúde ou responder novamente aquelas mesmas perguntas que parecem nunca acabar. O médico te cumprimenta pelo nome, conhece sua história desde que você tratou a gripe do ano passado até aquele plano de emagrecimento que está tentando seguir. […]

The post Conheça 7 vantagens de ter um Médico de Família no cuidado da sua saúde appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>

Imagine isso: você entra no consultório e não precisa explicar do zero todos os detalhes sobre sua saúde ou responder novamente aquelas mesmas perguntas que parecem nunca acabar. O médico te cumprimenta pelo nome, conhece sua história desde que você tratou a gripe do ano passado até aquele plano de emagrecimento que está tentando seguir. Não é só mais uma consulta. Há contexto, continuidade e, acima de tudo, cuidado real.

Esse é o tipo de relação que ter um Médico de Família proporciona. Ele não apenas olha para os sintomas que você apresenta hoje – ele te enxerga como uma pessoa completa, com todas as suas particularidades físicas, emocionais e sociais. Essa abordagem, chamada de cuidado integral, não é apenas mais próxima; ela é também inteligente, porque considera o que realmente importa: quem você é, sua jornada e onde sua saúde pode estar em risco.

E sabe o melhor? Estamos falando de algo que vai bem além da consulta no consultório. Ter um Médico de Família é como ter alguém acompanhando sua saúde ao longo dos anos, muitas vezes cuidando também dos seus filhos ou até dos seus avós. É como ter um fio condutor na sua história médica – algo que traz organização, confiança e clareza em um mundo onde a saúde muitas vezes parece tão complicada.


1. Um cuidado para a vida toda

Você se lembra daquela série antiga onde os médicos conheciam toda a cidade? Eles sabiam quem era o pai de quem, a irmã de quem, os problemas específicos daquela família… Parece coisa do passado, mas não deveria ser. A ideia por trás dessa relação próxima e contínua é justamente o coração do papel do Médico de Família – alguém que entende você em todas as suas fases da vida.

Esse tipo de profissional não está ali apenas para tratar doenças pontuais. Ele está presente nas suas consultas mais simples até as mais delicadas. Sabe quando você precisa fazer um check-up anual? Ou quando surge aquela dor estranha que você não sabe explicar? Ou quando surge aquela decisão sobre um tratamento, e você se pega precisando da opinião de alguém em quem confia de verdade? Pois bem: seu Médico de Família já conhece você o suficiente para traçar caminhos claros e tomar decisões ao seu lado, baseando-se na sua realidade e não em suposições.

2. Prevenção: o diferencial do cuidado contínuo

Essa continuidade no cuidado gera um benefício poderoso: previsibilidade. Quando alguém acompanha sua saúde por tanto tempo, fica mais fácil identificar padrões ou mudanças discretas que poderiam passar despercebidas em consultas isoladas. Pequenas oscilações no peso ou na pressão arterial podem ser indícios valiosos para prevenir doenças antes mesmo delas se instalarem.

Outro ponto interessante? Isso vale para toda a família! Um Médico de Família pode atender gerações inteiras – da criança ao avô – entendendo os hábitos e condições comuns daquele núcleo familiar. Existe histórico de hipertensão ou diabetes na sua família? Ele já sabe. Alguém tem alergias frequentes? Isso não será ignorado. Essa visão ampla cria uma linha direta entre diagnóstico, tratamento e prevenção.

A palavra “doença” tem um peso que ninguém quer carregar, ainda mais quando surge sem aviso, como um golpe inesperado. Mas seria possível evitar algumas dessas surpresas? Com o acompanhamento preventivo certo, a resposta é sim.

Prevenção pode soar como “aquela coisa chata” que a gente sabe que deveria fazer, mas nunca prioriza. Fazer exames regularmente, controlar fatores como alimentação e estresse… todo mundo ouve sobre isso, mas poucos colocam em prática até que algo realmente aconteça. Se alguém está ao seu lado nesse processo – avisando sobre os momentos certos para fazer exames ou ajudando a organizar sua rotina antes que algum problema apareça –, tudo flui de uma maneira mais tranquila e natural.

3. Um olhar individualizado

Um Médico de Família entende seus riscos específicos. Não se trata apenas de olhar para os dados gerais ou seguir um protocolo inflexível; trata-se de enxergar você como um indivíduo com necessidades únicas – desde aqueles pequenos sinais nos exames até os impactos do estilo de vida.

Por exemplo, situações frequentes como colesterol alto ou pré-diabetes podem ser identificadas precocemente e corrigidas antes de se transformarem em algo mais sério. E há ainda o lado humano disso tudo: confiar em um médico próximo faz toda a diferença quando ele sugere mudanças no seu cotidiano. Você não sente aquela resistência automática – afinal, ele já demonstrou conhecer seu contexto e respeitar seu ritmo.


4. O todo maior que a soma das partes

Quando falamos sobre saúde integral – esse olhar amplo para corpo, mente e ambiente –, estamos falando sobre enxergar pessoas como pessoas e não apenas como partes isoladas funcionando (ou falhando). Aqui está talvez uma das maiores forças do Médico de Família: ele não vê sintomas; ele vê histórias.

Sabe aquela dor nas costas que apareceu recentemente? Pode ser o reflexo de horas mal sentadas no trabalho… ou quem sabe o impacto emocional do estresse não resolvido? Um clínico geral poderia tratar só o fisiológico; o ortopedista focaria nos músculos e ossos. Mas um Médico de Família conecta todas essas peças antes mesmo de decidir o melhor caminho.

Isso acontece porque ele reconhece os contextos da sua vida: conhece seus hábitos diários, os tipos de pressão que enfrenta no trabalho e talvez até suas dificuldades pessoais. Essa abordagem integral permite diagnósticos mais precisos e tratamentos muito mais eficazes.


5. Histórico integrado sem complicações

Pense em quantas vezes você já foi ao médico para explicar toda a sua história médica, com datas confusas e diagnósticos meio esquecidos na memória. Talvez tenha sido só uma dor aqui ou uma alergia ali, mas tentar desfiar todos esses acontecimentos é exaustivo – sem contar o risco de deixar passar informações importantes.

Agora imagine se tudo isso estivesse nas mãos de alguém que conhece você há anos. Quando você tem um Médico de Família, ele se torna o guardião do seu histórico médico – alguém que conecta os pontos entre o passado e o presente para oferecer soluções mais eficazes no futuro.

Por exemplo: digamos que você vá a ele por uma dor persistente no abdômen. Em vez de iniciar do zero ou pedir uma bateria enorme de exames desnecessários, ele pode se lembrar daquela intolerância identificada meses atrás ou do medicamento recente que possivelmente irritou seu estômago. Esse conhecimento integrado evita redundâncias (como exames repetidos ou consultas a especialistas sem necessidade) e acelera diagnósticos.


6. Um vínculo que transforma a saúde

Pense por alguns segundos: quantas pessoas realmente conhecem você profundamente? Agora pense nisso dentro do contexto da saúde. Difícil imaginar uma relação assim acontecendo em consultas apressadas ou médicos diferentes a cada nova questão.

O vínculo entre médico e paciente no cuidado familiar é diferente porque cresce com o tempo. Quanto mais ele acompanha sua jornada – incluindo suas vitórias e reveses –, mais preciso ele fica em entender o que funciona melhor para você.

Outro ponto a ser considerado: confiança abre caminho para diálogos verdadeiros. Mesmo aquelas preocupações um pouco embaraçosas ou medos difíceis de verbalizar acabam vindo à tona quando você tem certeza de estar sendo ouvido por quem te entende como ninguém mais no universo médico.


7. Mais eficiência, menos desperdício

Por fim, vale refletir sobre algo que pesa bastante hoje em dia: os custos crescentes com saúde. Quando escolhemos atendimentos fragmentados – médicos diferentes cada vez que surge um problema –, existe sempre o risco de duplicação desnecessária: pedidos repetidos do mesmo exame, altos custos com muitos especialistas ou até tratamentos mal ajustados à situação real do paciente.

O Médico de Família elimina grande parte desse ciclo ineficiente. Ele acompanha sua saúde de forma completa e, cuidando também de sua família, pode identificar problemas cedo, evitar procedimentos desnecessários e optar por soluções mais simples e eficazes.

Economia aqui não se trata apenas de dinheiro… mas também de tempo e energia emocional.


Ter um Médico de Família não é apenas sobre consultas médicas; é sobre construir uma base sólida para cuidar melhor de quem somos – corpo e mente –, independentemente das fases pelas quais passamos. Não há motivo para enfrentar essas jornadas sozinho quando existe alguém disposto a caminhar com você pela vida inteira.

The post Conheça 7 vantagens de ter um Médico de Família no cuidado da sua saúde appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>
137
Produção de Leite Materno: O que fazer quando parece insuficiente https://drasaracastro.com.br/producao-de-leite-materno/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=producao-de-leite-materno https://drasaracastro.com.br/producao-de-leite-materno/#comments Thu, 27 Feb 2025 19:18:31 +0000 https://drasaracastro.com.br/?p=77 Amamentar um bebê é uma das experiências mais intensas – e bonitas – da vida de uma mulher. Mas, junto com toda a beleza desse vínculo tão especial, surgem também dúvidas, inseguranças e pressões. Talvez nenhuma seja tão universal quanto aquela pergunta que tantas mães se fazem em algum momento: “Será que meu leite está […]

The post Produção de Leite Materno: O que fazer quando parece insuficiente appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>

Amamentar um bebê é uma das experiências mais intensas – e bonitas – da vida de uma mulher. Mas, junto com toda a beleza desse vínculo tão especial, surgem também dúvidas, inseguranças e pressões. Talvez nenhuma seja tão universal quanto aquela pergunta que tantas mães se fazem em algum momento: “Será que meu leite está sendo suficiente?”

Se você está se perguntando isso agora ou já esteve nesse lugar antes, saiba que não está sozinha. Essa sensação de insuficiência é mais comum do que parece. E sabe o que é mais interessante? Na maioria das vezes, ela não reflete um problema real com o corpo da mãe ou sua produção de leite. Ao contrário, surge muitas vezes de expectativas irreais, falta de apoio e até da forma como nossa sociedade trata a maternidade moderna.

Historicamente, amamentar era visto como algo natural – às vezes até inevitável. Mas as coisas mudaram muito nas últimas décadas. Hoje, com tantas opções de produtos, fórmulas e aparelhos prometendo ser alternativas à amamentação, começamos a questionar até onde nossos corpos conseguem agir por conta própria. Vivemos rodeadas por imagens de mães amamentando, sempre com expressões tranquilas e bebês plenamente satisfeitos. Nunca vemos os bastidores: noites sem dormir tentando acertar a pega, momentos de dor ou até as lágrimas silenciosas de quem sente que está falhando.

Este texto é para abrir esse diálogo com honestidade e clareza. Vamos explorar desde os fatores emocionais até os sinais reais (e não imaginários) de baixa produção para ajudar você a separar verdade de mito. Porque essa jornada não precisa ser feita na culpa ou no isolamento – ninguém deveria carregar esse peso sozinha.


Por Que a Sensação de “Leite Insuficiente” É Tão Comum?

Antes de você se culpar por não conseguir encher cada mamada com litros e litros de leite – respire fundo. A sensação de insuficiência tem raízes mais profundas do que apenas aquilo que acontece entre mãe e bebê.

Primeiro, precisamos reconhecer como a sociedade mudou ao longo do tempo. Há algumas gerações, mulheres aprendiam sobre amamentação convivendo com outras mães da família ou da comunidade desde cedo. Isso criava um ambiente mais acolhedor e prático para quem se tornava mãe pela primeira vez. Hoje, vivemos em bolhas mais isoladas. Muitas mulheres só entram em contato com o ato da amamentação quando têm seus próprios filhos – e essa inexperiência inicial pode gerar dúvidas.

Outro ponto importante é o papel da indústria. Fórmulas infantis e produtos relacionados à alimentação dos bebês não são “vilões” em si; eles salvam vidas em muitos casos genuinamente necessários. Mas não dá para ignorar como o marketing pode plantar inseguranças ao apresentar essas alternativas como superiores ou mais confiáveis do que o leite materno. É quase como dizer: “Seja prática! Seu corpo pode falhar.” Isso fica lá no fundo da mente – mesmo quando você não percebe.

Nosso estilo de vida acelerado também não ajuda. Amamentar requer paciência, tempo e uma certa entrega à imprevisibilidade (eles mamam quando querem e quanto querem!). Mas, quando valorizamos tanto maximizar produtividade ou seguir horários rígidos, fica difícil ajustar isso às necessidades reais da amamentação.


Expectativas Versus Realidade

Você já reparou como as redes sociais romantizam tudo? Bebês sempre felizes nos colos das mães descansadas; mamadas rápidas e eficientes; tudo no ritmo perfeito como num relógio suíço. Mas quem vive sabe: isso não existe. Pelo menos não do jeito como tentam vender para você.

Amamentar pode ser uma experiência cheia de beleza, mas também traz cansaço e desafios, especialmente nas primeiras semanas. Um dos maiores problemas começa com as comparações: “A filha da minha amiga dorme cinco horas seguidas depois de mamar”; “Minha prima dizia que sentia o leite escorrer em jatos.” Então você olha para sua própria realidade (um bebê faminto vinte minutos depois ou fraldas menos molhadas do que você esperava) e logo pensa: Algo está errado comigo.

Não está! Cada mãe e bebê formam sua dupla única – o ritmo deles pode ser diferente do ritmo daquela tia do Instagram (e tá tudo bem). Muitas vezes, o problema não está nem na quantidade de leite produzido, mas na forma como interpretamos os sinais do bebê ou no excesso de expectativas irreais.

Amamentar nem sempre vem naturalmente; existem curvas de aprendizado tanto para você quanto para seu filho. Não significa fracasso – significa adaptação. Para começar, é preciso desfazer uma ideia equivocada: quase todas as mães produzem leite suficiente, mesmo quando têm dúvidas sobre isso. Existem momentos em que a produção fica aquém do necessário, e perceber esses indícios a tempo pode fazer toda a diferença na solução do problema.

Sinais de Atenção

  • Poucas fraldas molhadas ou sujas: Nos primeiros meses de vida, espera-se cerca de 6 fraldas molhadas por dia. Se o número for consistentemente menor, pode ser um sinal de atenção.
  • Ganho de peso insuficiente do bebê: Embora seja normal um pequeno declínio no peso nos primeiros dias após o nascimento, a curva deve começar a subir novamente por volta da primeira semana.
  • Choro contínuo durante ou após as mamadas: Aqui é necessário cautela porque bebês choram por muitos motivos! Mas se ele parece desconfortável o tempo todo e nunca satisfeito após mamar, talvez valha verificar a produção.

Se você identificou algum desses sinais no seu bebê, não tome decisões precipitadas sozinha. Procurar uma consultora de amamentação ou profissional de saúde pode ajudar a avaliar melhor o quadro. Às vezes, pequenos ajustes fazem toda a diferença – muitas vezes, tudo começa mexendo em algo simples, como a maneira de segurar.


Pega e Frequência das Mamadas

“Está na pega” é quase um mantra entre quem trabalha com amamentação. E faz sentido! Uma pega inadequada pode limitar o quanto seu bebê consegue retirar do peito – e o pior é que isso cria um ciclo preocupante: menos retirada significa menos estímulo à produção.

A pega ideal envolve algumas características principais:

  • O bebê deve abocanhar não só o mamilo, mas boa parte da aréola (a região escura ao redor).
  • Os lábios precisam estar voltados para fora, com aspecto confortável.
  • Você não deve sentir dor intensa durante a mamada.

Se isso não está acontecendo, talvez seja hora de ajustar. Mas só acertar a pega não basta. A frequência das mamadas também tem papel central aqui. O peito funciona como uma espécie de fábrica: quanto mais “encomendas” recebe (ou seja, quanto mais vezes seu bebê mama), mais leite ele produz. Por isso, horários engessados raramente funcionam nos primeiros meses; seguir o ritmo do bebê – a chamada amamentação em livre demanda – é mais eficaz para manter uma boa produção.


A Influência da Alimentação e Descanso

Talvez você tenha ouvido alguém dizer: “Beba muito líquido para ter mais leite!” ou “Coma bem para produzir bastante!” Cuidar da sua alimentação e manter-se hidratada faz diferença, mas não é nenhum milagre como às vezes tentam fazer parecer.

O corpo humano é incrível. Ele prioriza produzir leite mesmo em condições adversas (o que explica como mães em situações extremas continuam alimentando seus bebês). Porém, isso não significa que você pode ignorar suas necessidades básicas – até porque cansaço extremo ou má alimentação podem afetar indiretamente a amamentação.

Pense na amamentação como correr uma maratona. Seu corpo vai dar conta porque foi feito para isso… mas fica bem mais difícil correr se você estiver faminta ou esgotada emocionalmente. Por isso, se puder contar com ajuda para descansar (mesmo que seja cochilar enquanto alguém segura o bebê por meia hora), aceite sem culpa. E lembre-se: não dá para fazer tudo sozinha.


O Peso da Sociedade na Amamentação

A pressão social é tão invisível quanto imensa. Escutamos frases como “Amamentar é natural”, mas ninguém fala do trabalho pesado e das dúvidas envolvidas no processo. Quando você sente que precisa ser perfeita – suprir todas as necessidades do bebê sem reclamar – o ato de alimentar vira um peso emocional enorme.

Essa cobrança não vem só dos outros; acaba morando dentro da gente também. Nunca se esqueça disso: você está lidando com tudo da melhor forma possível, considerando as circunstâncias que enfrenta agora. Mães são suficientes para seus filhos mesmo quando enfrentam dificuldades na amamentação.

Se precisar complementar com fórmula? Tudo bem. Se quiser tentar outras alternativas enquanto busca ajustar a produção? Tudo bem também! Seu valor como mãe não se mede pelo tanto de leite produzido.


Recursos Que Podem Ajudar

Ninguém deveria passar por isso sozinha – e felizmente existem aliados nesse caminho:

  1. Consultoras de Amamentação: Profissionais especializadas (e muitas vezes mães que já passaram pelo mesmo) ajudam você a identificar problemas na pega ou oferecer orientações práticas.
  2. Bancos de Leite: Se você precisa complementar temporariamente ou quer doar leite excedente, os bancos são uma rede incrível de apoio.
  3. Grupos de Mães: Compartilhar experiências com outras mulheres pode fazer uma diferença enorme – tanto emocional quanto prática.

Amamentar vai além de nutrir o corpo; é um gesto que fortalece o vínculo entre mãe e filho. Mas sabe qual é o segredo? Esse vínculo mágico existe mesmo quando há desafios no meio do caminho – seja complementando com fórmula ou optando por outro método.

O amor continua sendo servido em cada toque, cada olhar trocado enquanto alimenta seu pequeno. Não importa como esteja sendo sua experiência com a amamentação, você está arrasando no que faz.

Dra. Sara Koefender Castro
Médica de Família e Comunidade
CRM/RS 39979 RQE 32341

The post Produção de Leite Materno: O que fazer quando parece insuficiente appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>
https://drasaracastro.com.br/producao-de-leite-materno/feed/ 2 77
Você tem alguém que cuida de você – como um todo? https://drasaracastro.com.br/voce-tem-alguem-que-cuida-de-voce-como-um-todo/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=voce-tem-alguem-que-cuida-de-voce-como-um-todo Mon, 24 Feb 2025 12:16:59 +0000 https://drasaracastro.com.br/?p=71 Quantas vezes você já foi a um consultório, clínica ou hospital e saiu com mais dúvidas do que respostas? Muitas vezes, ao enfrentar um problema de saúde ou uma insegurança sobre o corpo, nos sentimos perdidos – como se estivéssemos montando um quebra-cabeça sem a imagem da capa. Quem cuida de você quando você não […]

The post Você tem alguém que cuida de você – como um todo? appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>

Quantas vezes você já foi a um consultório, clínica ou hospital e saiu com mais dúvidas do que respostas? Muitas vezes, ao enfrentar um problema de saúde ou uma insegurança sobre o corpo, nos sentimos perdidos – como se estivéssemos montando um quebra-cabeça sem a imagem da capa. Quem cuida de você quando você não sabe por onde começar? Ou melhor: quem cuida de você, e não apenas da doença?

O médico de família tem um papel essencial em garantir que o sistema de saúde funcione de forma acessível e eficiente. Essa especialidade vai além do tratamento imediato ou da prescrição de remédios. Ela é construída sobre algo maior: oferecer cuidado contínuo, próximo e com uma visão ampla, atendendo às pessoas em todas as fases da vida.

Imagine ter alguém que acompanha sua saúde ao longo dos anos, conhece seu histórico completo, entende suas preocupações e ajuda a prevenir problemas antes que se tornem crises. Ir a um médico diferente a cada vez que você precisa é como tentar montar um quebra-cabeça sem saber onde cada peça se encaixa. O médico de família faz exatamente essa diferença: ele conecta as peças.


O que é um médico de família?

Quando pensamos em médicos, geralmente imaginamos um cirurgião em uma sala de operação ou um pediatra cuidando de crianças. Mas o médico de família vai além de resolver apenas uma parte específica da equação. Ele é treinado para enxergar o todo e cuidar de você de forma integral.

Diferente de especialistas que focam em áreas específicas, como cardiologia ou dermatologia, o médico de família trabalha com uma abordagem ampla. Ele atende desde problemas simples, como infecções respiratórias, até questões mais complexas, como doenças crônicas, saúde mental e cuidados paliativos. Além disso, considera não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais e sociais, porque saúde não acontece de forma isolada.

Essa visão ampla faz dele um verdadeiro guardião da saúde da sua família. Ele entende não só a pessoa individualmente, mas também as dinâmicas familiares e sociais que influenciam a saúde.


Por que o nome “médico de família”?

O nome já dá uma pista: existe uma relação mais próxima entre esse profissional e as pessoas que ele acompanha. Não é apenas “um médico”, é o seu médico. Aquele que conhece sua história sem que você precise repetir tudo a cada consulta.

Imagine visitar um médico que já sabe que você é alérgico a certa medicação porque prescreveu outra meses atrás. Ele entende seus desafios com saúde mental porque já notou padrões nas conversas. Ele acompanha seus exames preventivos antes mesmo que você perceba algo errado. Esse tipo de cuidado é diferente do contato pontual com outros médicos ou especialistas.

Representa a ideia de ter alguém em quem confiar para perguntar tudo – desde “preciso mesmo desse remédio?” até “esse exame é preocupante?”. É um cuidado personalizado e completo.


O papel do médico de família no sistema de saúde

Pense no médico de família como a porta de entrada para o sistema de saúde. Ele resolve grande parte dos problemas comuns diretamente, mas também sabe para onde encaminhar quando algo exige atenção mais específica.

Se compararmos a um time esportivo, ele é o estrategista que coordena os passes entre problemas imediatos e soluções definitivas. Precisa de um cardiologista? Ele orienta antes disso. Enfrentando algo menor? Resolve ali mesmo, enquanto monitora tudo.

Sistemas de saúde com forte atenção à medicina familiar, como na Inglaterra ou Canadá, apresentam melhores resultados. Mais do que números, são sistemas mais humanos, que colocam a pessoa no centro do cuidado.


O vínculo que transforma: médico e paciente como parceiros

Já saiu de um consultório médico sentindo que nem foi ouvido? Com o médico de família, essa história muda. Um dos aspectos mais transformadores dessa especialidade é o vínculo construído entre médico e paciente.

Essa relação não é apenas conveniente; é terapêutica. Com o tempo, o médico aprende sobre você muito além dos sintomas. Ele entende suas vulnerabilidades, seus pontos fortes e até desafios que vão além da saúde física, como estresse no trabalho ou dificuldades familiares.

Esse vínculo também permite que você participe mais ativamente do processo. Não está mais sozinho tentando entender informações médicas complicadas ou decidir os próximos passos. O médico de família guia suas escolhas de forma consciente e personalizada.


Da infância ao envelhecimento: cuidado para todas as fases

A saúde é uma jornada, e ninguém deveria percorrê-la sozinho. Uma das maiores forças do médico de família é sua capacidade de acompanhar você em todas as etapas da vida.

Na infância, ele identifica sinais precoces de alergias ou acompanha questões nutricionais importantes. Na adolescência, é uma figura de confiança para lidar com inseguranças. Na vida adulta, ajuda a manter hábitos saudáveis e trata doenças crônicas. E, no envelhecimento, cuida da qualidade de vida e autonomia.

Esse acompanhamento contínuo faz toda a diferença. Seu histórico é usado como ferramenta-chave para decisões mais assertivas sobre sua saúde.


Médico de família ou especialista? Quando recorrer a cada um

Se o médico de família cuida de tudo, ainda precisamos de especialistas? A resposta é: sim, mas em momentos específicos. Eles têm papéis complementares no sistema de saúde.

  • Situações gerais: Infecções comuns, dores musculares ou acompanhamento preventivo são resolvidos pelo médico de família.
  • Doenças complexas: Problemas cardíacos graves ou condições raras pedem encaminhamento para um especialista.
  • Coordenação entre áreas: O médico de família centraliza os tratamentos, evitando confusões ou duplicações desnecessárias.

Ou seja, eles trabalham juntos. O médico de família ajuda você a acessar especialistas quando necessário e garante que tudo esteja interligado.


Onde encontrar um médico de família no Brasil?

No Brasil, os médicos de família têm ganhado relevância nos sistemas de saúde privado.

Se você tem plano de saúde, verifique se há cobertura para consultas com médicos dessa especialidade. Procure por termos como “clínico generalista” ou “atenção primária”, mas priorize “medicina da família”, pois é esse termo que garante que o médico seja, de fato, um especialista em Medicina de Família e Comunidade. Verifique também se ele possui registro de especialista juntou ao Conselho de Medicina (RQE). É isso que garante que esse médico tenha a qualificação para fornecer esse olhar ampliado.

Independentemente de onde você busque atendimento, priorizar um médico que enxerga você além dos sintomas pode ser o primeiro passo para uma mudança positiva na forma como cuida da sua saúde. Mais do que marcar consultas, é sobre ter alguém que ouve sua história e cuida de você de verdade.

Porque cuidar da saúde fica melhor quando alguém cuida de verdade da gente.

Se você procura um Médico de Família em Porto Alegre, agende uma consulta e inicie esse acompanhamento integral.

Dra. Sara Elisa Koefender Castro
Médica de Família e Comunidade
CREMERS 39979 | RQE 32341

The post Você tem alguém que cuida de você – como um todo? appeared first on Dra. Sara Koefender Castro - Médica de Família.

]]>
71